segunda-feira, 24 de maio de 2010

chegou
abriu uma fenda
saiu
nem se despediu

o que ficou
suspenso
no ar
sem saber
como acabar
causou
uma cisão


sensação
sem som
cor
nem cheiro
vazio
obscuro

desejo
que escoou
sem deixar
vestígios

sexta-feira, 21 de maio de 2010

aprendizado felino

fico arisca
com quem
não arrisca

quinta-feira, 20 de maio de 2010

vida cada
vez mais
clara
e viva

nada mais
afeta
com a mesma
intensidade
dor nem
sofrimento

tudo ilusão



momento de
expansão
consciência
da luz
da totalidade

cura dos medos
das limitações
harmonia
sendo restaurada
a todo instante


viver
é um
bem precioso!
o fogo
ja apagou
meu coração
se acalmou

tudo pronto
tudo vazio


tenho as mãos livres
e o coração aberto

quero o amor
sem temores
sem controles


quero amar
em liberdade
quero manter
toda amizade

e realizar tudo
que sou
transcender
transparecer
transcrescer...
transcender

acender
a luz
de dentro
nunca permitir
o escuro da alma
prevalecer
manter o foco
no alto
da montanha
no brilho
da lua
e do sol


permanecer no agora
retirar o véu
de maya
ter olhos
claros
na cara
e na alma

não entrar no jogo
aceitar o fogo
desde que seja
o sagrado


tudo é dentro
o fora é
só artifício

a cura
é a procura
do que
ja existe
no dentro
foi bacana
mas também
foi sacana
foi só
um jogo
o fogo
era de palha
se acabou


chega de
ser lenha
na fogueira
alheia

quarta-feira, 19 de maio de 2010

yinspiração


e agora
que toda
loucura
seja
pura
cura




que
cada
parte
alcance
por fim
sua unidade


que toda
confusão
encontre
a própria
fusão
sem medo
sem jogo


pra que
tudo
seja como
flor
foi encanto
foi espanto

foi tanto
que agora
em meu canto

só o canto
me acalanta
matéria que sai
das artérias
é poesia
é revelia
é sentimento
sem sentido
que vem e vai
sem deixar
sinal
de fumaça


é matéria pra poesia
sentir
e dessentir
chegar e partir
unir e separar


amar
e desamar
desarmar
o que era
armação

e a solidão
que sempre
prevalece
solitude
pra alcançar
unificação


amar
sem
aprisionar
alma que desagua
na noite fria
aprendizado
do vazio
apagando
o apego
o quase afago
ou o quase
que me afogo


afogo
ou há
fogo?


desaguo
ou seco


rio
ou
morro


renasço
das cinzas
do fogo que
mal acendeu
se apagou...


onde foi
se esconder
aquilo que
parecia ser
encanto?


volátil
ou
aprendizado
do instante
que passa
só pra
ser
passagem

um rito
um grito
espelhos de
centelhas
cada qual
com seu brilho
singular


vontade de
proximidade
fusão
sem confusão


qual a
tessitura
desse
encanto?


choro contido
de tamanha
indefinição


ausência
que comporta
tanta presença
no meu dentro


e o choro
que não sai
por não saber
o que sentir
nem como agir
reagir...


retirada
fechamento


buraco no peito
antes continuasse
o vazio de antes


agora
nem caqui
nem amora


o silêncio
da espera
sem qualquer
perspectiva:
puro
salto
no escuro


ou no mais puro
do amor
que pode
ser
o que tiver
de crescer

segunda-feira, 17 de maio de 2010

mudo plano
outro que chega
e se vai
da mesma maneira


entra
revira
e se vira...


me deixando atônita
afônica


mais distante


tão longe
e tão perto
do certo
de mim...
minha paz
não se desfaz
nem quando
meu ego
me engana


minha paz
nunca jaz
porque
é colhida
na certeza
da vida


vida que não morre
nem se encolhe

só se acolhe
e escolhe
o caminho da serenidade
quero um mantra
como manta
pra aquecer
e cobrir meu coração

quero
alar meu coração
quando ele
quiser se fechar
se recolher
se esconder

desacreditando do amor



porque o amor
está em mim
e o encontro
das almas
companheiras
chega um dia
pra revelar
o espelho
cristalino
que mora
dentro do peito
e a gente sozinho
acha que não
pode ver
quando
a fusão
parecia
estar
a caminho
a confusão
se precipita
e tudo põe
a perder

porque a mente
que controla
antecipa
planeja
caminha
por trilhos
tortos
e mortos


sair do agora
é estar
fadado
ao fracasso
o fracasso
do amor romântico
cada dia mais explícito
como se não fosse
possível
a arte do encontro
da cumplicidade
parceria


tempos de reclusão
solidão
como se amar
fosse vácuo


o amor não
se encontra
no outro
é na gente
que precisa
estar latente


cuidado
pra não quebrar
o que se cria
atraves da magia


encantamento
nasce onde?
vontade de proximidade
é carência
ou ligação
sobrenatural?

agora
só duvidas


certeza
que sozinha
posso
apenas me proteger
sair de cena
cair de pena
colocar de novo
o coração no lugar
vazio
como acaba
o que nem começa
como choro
que não desagua
porque o oco
da garganta
cala
quer colo
a voz
que não
diz

quer afago
quer abraço
mas não tem
não pode
o abraço
distante
que se ocupa
de outros
braços


contato
sem tato
desfeito
antes
de abrir
o peito


sensação
de suspensão
de mente
que vagou
em vão
no meio
de nova ilusão


e o frio
deixa tudo
ainda mais
denso

sem flor


casulo
pra proteção
cuidando
pra não
ser couraça
por pirraça
por desgraça

onde a alegria
nunca acaba?
onde e quando
o amor
ocupa seu lugar
de sempre?

a finitude
do que se desfaz
como gaz
onde jaz?


é só dentro
da gente
que pode
e deve caber
amor?

me fecho
me abro
me desabo
me abro
me acabo
me começo
me contenho


o outro
que em mim
quase aninha
em breve
se desalinha
o eu
que no outro
quase se revela
se desvela
se esguela
precisa
se retirar

domingo, 16 de maio de 2010

tudo voltando
pro lugar
casa em ordem
pensamentos
sentimentos
atitudes
em harmonia
depois
da desordem
a certeza
de que tudo
sempre
tende ao
equilibrio
a paz
e ao amor

sábado, 15 de maio de 2010

tenho os olhos
cheios d'agua
o coraçao
saindo pela
boca
e um nó
na garganta
querendo desatar
tudo clarear
tudo amar
o reflexo
das roupas
espalhadas
pelo chão
espelham
o despir
de toda
ilusão
abrir o coração
despir os medos
as normas
as formas


existir
sem resistir
ser tudo
no todo

encontrar o eixo
o seixo
o desfecho

conectar
a essência
a florescência
a luminescência
da inocência

amar
alar
ser
pleno
e ser solto
toda procura
é uma
pró cura
processo lento
de organização
revisão
interna
completa
limpeza
arrumação
transformação
o caos
ajuda na
desconstrução
quando
acaba
tudo
se renova
agora
a desordem
vai embora
cada coisa
vai pra
seu lugar
minha roupas
meus sapatos
meus livros
papéis
objetos
meus lixos
minhas loucuras
medos
desejos
procuras
abrigos
carinhos
e amores
nos sonhos
a vida
prossegue
resolvendo
conflitos
revelando
direções
apontando
soluções
e novas
percepções


acordada
muitas vezes
não vejo
a cor
que é dada


no sonho
mistérios
deixam
de ser
sérios


a teia
da vida
se destrama
se desdrama
me esparrama

sexta-feira, 14 de maio de 2010

tirar a máscara
a persona falsa
que mostra
a cara
sem a coroa
real

medos
máscaras
fantasmas
conceitos
camadas
e camadas
maquiadas
de tudo
o que
acham
ser
o normal

viver
de forma
natural
selvagem
essencial

ser
o ser
original
feito
para
o amor

quinta-feira, 13 de maio de 2010

e esse caos
que não se desfaz
que reflexos
me traz?
tudo pelo chão
em total
desarrumação

revendo
conceitos
elimando
todo pré
pra que
tudo seja
em prol
do que
é verdadeiro
alegre
luminoso

bagunça que
reflete
processo
de desconstrução
dissolução
e reorganização

caos
que
vai
virar
cais

sexta-feira, 23 de abril de 2010

o que não se diz
por desperdício
de viço
vira poesia


vira poesia
o que se cala
quando não
se ala

vira poesia
a fala
atravessada
a fala
oculta
obscura
sem censura


vira poesia
a crítica
cítrica
e estrábica


vira poesia
o abraço
aninhado
do menino
contido
detido
sonolento

conversa
sem verso
fica suspensa
não se sustenta
nem na terra
muito menos no ar
nem no fogo
nem na água


conversa técnica
impessoal
onde a tônica
é a diferença
que precisa
ser extinguida...


posição:
co-ordenar
a dor


composição:
de cor
em ordem
com a dor
conversa
que não circula
conversa
sem verso
poético
prosa
sem rosa
prosa rasa
sem asa


sua verdade
descombina
com a minha
que é ex-
concubina
da sua

minha fala
risca o medo
do dicionário
do ser


quer a cura
em vez da
doença
quer a arte
em vez
da má sorte
quer a bicicleta
ao invés
da indireta

quer andar
não só
em linha
reta
quero desinventar
que chorar
é fraqueza
pois choro
é chuva
sorriso
é sol
e a vida
é ciclo
de agua e
luz

um ser profissional
não pode chorar
enquanto se emociona


precisa esconder
sua tristeza
que é sua porque
também é do outro
equipe
ou
coletivo

com gripe
ou
com rolê ativo

quero roda
mesa redonda
bate-papo
que vai e volta
sem meias-verdades


verdades inteiras
de cada um
sem julgamento
sem imposição

troca de
energias

com as singularidades
em harmonia
equipe
precisa
de equipamento
pra ter alimento

coletivo
precisa
de colo ativo
rotativo
borboletivo
monólogo
disfarçado
de diálogo

espelho
que não
se olha

projeção
de olhar
estrábico
fóbico
estático
gosto da não palavra
dita pela lingua calada
de silêncio
que tem cio


ouvir sem nada
dizer
sem defesa
sem ataque


palavras
pra serem usadas
pra serem aladas


se calo
ou se falo

não me respaldo
em técnicas
nem em teorias

gosto de ser
a revelia
me esbaldo
em poesia
em alegria
em liberdade

EM MEMÓRIA ou PARA RANODI

morte em meio
ao temporal
medo, fé

despedida
de vida
cansada de sofrer
quantas alegrias
em meio a angústia do ser?

na morte
a dor é finda
além do corpo, da dor
-o vazio-
finita matéria
que deteriora
com as horas


para onde
vai a essência?
aquilo que não se fita
aquilo que está além
da foto
síntese da vida

quinta-feira, 22 de abril de 2010

insonia

lua crescendo
dentro do peito
tambor ritmado
de alegria
certeza viva
da arte
da cura
e do amor


sono que
cede lugar
pra vigilia
acôrdo
com a cor
da noite
estrelada

lua crescendo
se enchendo
alterando
emoções
clareando
gerando
fecundando
vida plena
de luz

terça-feira, 20 de abril de 2010

cuidado que
funde
confunde
com medo

limitar
o outro
minar
possibilidade
de ser livre
alegre

não posso
fazer parte
do esquema
que poda
faz bonsai
de gente
e fica
doente

pulsa
na frequencia
do medo
desencontros
desencantos
chegam de me
rodear

dez encontros
dez encantos
venham me
saborear
a solidão
que agora
pesa
me deixa
presa

quando
amar
se torna
distante
feito
o mar
no horizonte
sem fim

vontade
de contato
pleno
paixão fecunda
amor em botão


encontro de
almas nuas
presença quente
cheiro de mel

bocas sedentas
corpos em chamas
gozo pleno
silêncio em grito


quando o amor
vai me presentear?
por minha porta
entrar?


estou aberta
estou alerta



e inteira nua
um colar
de pedra
estrela
pra alar
minha espera

as vezes
quase
me desespera

solidão
cansada
de si

companhia
pra sorrir
nutrir
florir

parceria
pra prosseguir
encantar
expandir

onde estará
o meu amor?
além do que
há dentro de mim?

quero sair do
meu umbigo
encontrar abrigo
num ombro
e corpo todo
amigo

quero despir
meu manto
de solidão
deixar cair meu
sentimento
pelo chão
fundir-me
no outro
sem confusão
sono que se vai
pensamento
que me detem
a espera
de alguém

segunda-feira, 19 de abril de 2010

finda semana

sábado a noite
num sítio
de céu estrelado
repleto de brilho
entre um bom papo
degusto um licor
de jenipapo
de sabor
exótico

sono que chega
sereno
descanso
de repouso
rural

e no domingo
entre flores
frutas
e calor
um bom banho
de cachoeira
pra encarar
a segunda-feira!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

contradição
com tradição

quinta-feira, 1 de abril de 2010

lua cheia
da estrela
atraindo
o proposito
da arte


lançamento
de livro
livre


palavras
soltas
pra livrar
do abismo
do cismo
consigo





comigo
com meu
umbigo
costumo
abrigo
costumo
afago







e os gatos
a dormirem
no tapete
voador









e o vento
de outono
e o ventre




ventre
semente
de
vivente









alinhar
aliar
a linha
e a brisa

terça-feira, 30 de março de 2010

ex
expectativas
ex tentativas


agora
o que
acontecer
será
o que
tiver
de ser

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cantar
Dançar
Escrever
Encantar
Enlaçar
Descrever


Alar
Falar
Crescer
Florescer
Arvore
Ser





Amar
Além
Do mar




A
Lenda
Do mar



Além do amar






Gênero

Questão
De
Momento




Gerundiando
vai estar
Enrolando



O que é pra
Ta fazendo
É pra ser feito!








Caqui e amora
Gosto de natureza
Na boca
Na oca
Com gosto
De fruta agora




Sono
Caído
Na noite
De quase
Lua cheia


A cor da noite
Acorda








Deixar sair o
Que vai preso
No peito


Parir
O desejo de
Ser

Somente
Semente



Fruta
Fruto
Flor

Apenas folha

quarta-feira, 24 de março de 2010

lua e ventre
se enchendo


cheia de claro
de vida de
cheiro vivo


ventre
de dar-se
à luz
própria


vaga-lume
vagando nuvens


óvulos
fecundando
como féculas
e pétalas
de si mesmo


lua e ventre
de claro
e escuro
de pleno
e vazio
de luz
que reluz
o sol



ventre
livre
vento
livro



vivo
ventre
viva
lua
cheia
de claro

segunda-feira, 22 de março de 2010

outono
ou tônus






folhas caidas
pelo chão
chuva forte
pra apagar
o verão







cada um
resolve
o seu
problema
revolve
o seu emblema
remove
o seu esquema
e revele
o seu poema







ou
tono










ou
to
no











ou
to
on

sábado, 20 de março de 2010

São Paulo
das mil faces
São Paulos, Joãos,
Marias, Antonios,
Beneditos
benditos e malditos
Pressa nos passos
variedade humana


corpo anônimo
caído na marginal
enquanto todos
passam velozes
indiferentes
a sua condição

No terminal,
trânsitos intermináveis
personagens de tantas
histórias
diluidos na multidão
escrito antigo


que toda partida
se transforme em
partitura
que toda mudança
se torne dança
outono
áries
ano novo


calor
se despindo
pra dar lugar
ao frescor

folhas pelo chão
pra lembrar
a renovação

sexta-feira, 19 de março de 2010

religação
sem religião







fazer parte
sendo ingrediente
que dá o toque







mania
de magia
modo de
fada
a moda
antiga





palavras pra dizer
o que não se diz
palavras de ser
aprendiz




instituição
com substituição
subtração
subordinação
olhar linear
prática da rotina
colada na retina







palavras pra
orientar
revelar
desnudar
pulsar
transformar
inovar





ousadia
noite
e dia









céu brilhante
iluminando a vida
na terra
reflexos
espalhados
espelhados
pelo chão

alma
em ebulição
corpo
em ovulação

vida de luz
germinando
por dentro


processo
de criação
gestação
de gesto
na ação


grávida
de vida

quinta-feira, 18 de março de 2010

casa
de pernas
pro ar
tudo fora
de lugar

novos olhares
outras arrumações
liberações
do caos
que traz o cais

desarrumado
pra dar novo rumo
um olhar técnico
um coração mecânico
ser um ser profissional


não se emocionar
nunca se abalar
ser um ser estático

quase máquina
pra seguir
o esquema
armado pelo sistema

cada um fazendo
apenas aquilo que
acha que lhe cabe
funcionário
fracionário

coração do lado de fora
cabeça no comando
e assim
vai funcionando
uma instituiçao
feita pra
reproduzir
sem contestar
sem nada novo testar


fazer parte
só com ajuda
da arte
do carinho
da rosa
e do passarinho

segunda-feira, 8 de março de 2010

a pressa
pressiona
aprisiona

com pressa
quero
uma compressa
de terra
na testa

aterrar
o pensamento
e toda pressa
com seu preço
sem apreço

quero a lentidão
de caramujo
rolando ao chão
um olhar inverso
pra fazer verso
estreiar
estrelar

sexta-feira, 5 de março de 2010

altar
de elementos
fundamentais

quinta-feira, 4 de março de 2010

chama
oscila
alheia
ao vento
e ao meu
pensamento

chama
amarela
vela
a chama
da vela
amarela

é amarela
a chama
da vela

a vela
amarela
da chama
a noite
o acorde
da vida
em sol
maior
me toca
num pulo
sair do
limite
do chão


o salto
é estar
solto
a noite
com seus
encantos
e acordes
a noite
me acorda
com sua cor e
seus acordes
de silêncio

quarta-feira, 3 de março de 2010

num repente
se pensa
de repente

terça-feira, 2 de março de 2010

raramente procuro médicos
na verdade, das ultimas vezes
fui apenas por causa do atestado
para justificar as faltas do trabalho

há tempos optei
por ouvir meu corpo
reconhecer seus processos
e procurar me tratar
de forma natural

um dia me dei conta
que desde criança
já não confiava
na medicação industrial,
nem nas vacinas
porque guardo até hoje
uma marca grande no braço
da vacina que fui obrigada
a tomar na escola porque
retirei meu braço na hora
como defesa
mas criança
na maioria das vezes
não tem escolha

outra lembrança
é de um dia ter me dado
a permissão para
não mais tomar os remédios
que minha mãe obrigava
a fim de que eu engordasse
um dia me vinguei
e passei a enterrá-los
no fundo do quintal!


quando finalmente pensei
ser livre pra fazer minhas escolhas
optei conscientemente
pelas vias naturais

hoje, pela segunda vez
após seis meses
precisei recorrer
ao posto de saúde
(ou de doença?)

da vez anterior
tive o azar de ser
atendida por um ser
que com certeza
não tem amor ao que faz
talvez em seu consultório
particular, possa ter um pouco
não sei se amor...
se é que ele sabe o que é isto.

mas são águas quase passadas
quase, porque se não escolho
ontem, teria o desprazer
de ser atendida novamente por ele
que prá mim ficou sendo visto
como uma versão de "O médico
e o monstro" e sei que pra
muitas outras pessoas também

o fato é que então
voltei no dia seguinte, hoje
pela manhã para ser atendida
por outro doutor...
cheguei antes das 7 da manhã
porque avisaram que ele iniciava
os atendimentos as 7!
este acho um fato curioso
da maioria dos médicos brasileiros
será que em outros países será
assim também?
porque sempre atrasam?


bem, ele chegou as 7:30h
sou de observar bem essas coisas
pois que sempre achei esquisito
os médicos se atrasarem

haviam algumas pessoas na minha frente
e quando elas começaram a entrar
e sair com a mesma rapidez do vento
que soprava lá fora
achei aquilo de novo esquisito...

dentre os cartazes colados
nas paredes do posto
um deles me chamou a atenção
dizia que os médicos se preparam
em média dez anos
para poderem fazer um bom serviço

em menos de dez minutos
vi este médico atender 3 pessoas!!!
vi também ele sair da sala
e gritar irritado pra alguma
atendente que ele estava sem carbono, pô!



gripe pelo que sei e sinto
é uma forma que o corpo
encontra de liberar as tristezas
que a gente acha que pode esconder
então, das vezes em que ela me apanha
sempre reconheço que haviam coisas
pra serem retiradas, purificadas...

trabalho na área de saúde
também pública
e capto muita tristeza alheia
com meu servíço de escuta
me sinto as vezes
faxineira de emoções

eventualmente um cansaço
me assola
vontade de descansar
ficar sem nada fazer
me recompor
ou fazer outras coisas
que na rotina do cotidiano
perco a motivação

mas o sistema
exige uma dura disciplina
quase um quartel
e o sentido
da vida
se há um descuido
quase se esvai

doença qualquer é desequilibrio
gripe é quase sinônimo de
recolhimento
assim como o
primeiro dia
que menstrua
toda mulher

deveria ser
parada obrigatória
pro corpo
se reabastecer

em menos de 5 minutos
sou atendida pelo doutor
que estudou 10 anos
conforme o cartaz

este até que me examinou
me fez mostrar-lhe a língua
não enfiou aquele palito
que sempre me causava ânsia
e me pediu pra respirar

percebi sua impaciência
(além da falta do carbono)
quando examinava meu tórax
pois dizia pra eu respirar
enquanto eu ainda terminava de expirar
será que pra ele respirar
é só inspirar?
ou meu tempo de respirar
é tão grande
que iria interferir
no seu tempo de trabalho?
ou de vida?

preferi não questionar-lhe
afinal de certa forma
estava em suas mãos
o tal do atestado
tão necessário
pra justificar meus dois dias
de falta

pelo tamanho
da sua barriga
achei melhor
ficar na minha!

afinal fui de certa
forma obrigada
pelo sistema de saúde
ao qual de certa forma
faço parte
a comprovar no papel
o meu mal-estar
pois minha palavra
nem minha indisposição
servem para garantir meu descanso

saio do posto
com vários comprimidos
isto porque ainda
deixei uma cartela
porque havia ganhado
20 comprimidos!

como não iria e não vou
tomar nada pra comprimir
minha dor
saio de lá
com a percepção
mais evidente
do quanto nosso
sistema de saúde
é doente

médicos que
apenas medicam
vários papéis
como se compensassem
o papel verdadeiro
da medicina

na volta pra casa
sentindo o vento frio
do outono que vem
chegando um pouco apressado
paro no semi bosque
de eucaliptos
e apanho uns galhos
de algumas árvores
que generosamente
permitem que alcance
alguns galhos seus

ao invés de paracetamol
prefiro inalar
eucalipto
tomar seu chá
gengibre, alho
mel e limão
e aproveitar
sem qualquer
perpectiva de culpa
um dia sagrado
de descanso
fazendo de fato
corpo mole
como sinto
meu corpo neste instante

fazer corpo mole
ao contrário do que
se pensa
é amolecer as tensões
a rigidez e o controle
que faz com que a gente
se torne máquina
ou alguém que sente
tão importante
ao ponto de nunca
poder se ausentar


sei que tudo funciona
sem minha presença
não sou insubstituível
e ninguém depende
de mim pra viver

e a gripe
vem só
pra me fazer lembrar
que ainda adoeço
porque não sei
ser inteiramente natural

segunda-feira, 1 de março de 2010

acordar de noite
adormecer de dia
clarear o escuro
escurecer o claro
noite estrelada
de lua clara
e vento

marte
com seu brilho
vermelho
aquecendo
o céu
de março

corpo cansado
precisando do repouso
parada necessária
pra fortalecer
e seguir a caminhada

cuidar da alma
através do silêncio
recolhimento
que expande


\
palavras caladas
ficando aladas
Dia escuro
noite clara
momento fecundo
pra dar a luz


vento trazendo
frescor
e mudanças
no ar

mundo se desabando
terra estremecendo
se repartindo
era nova se aproximando

nova vida
novo humano
novo mundo
surgindo
em meio ao caos
que em breve
sera cais
porto seguro
de vida
em harmonia

domingo, 28 de fevereiro de 2010

lua cheia
clareando
o céu da noite
e o da boca
iluminando
de estrelas
e centelhas
em letras

vento de outono
chegando
pra dar tonus
o sentido
com sentido
corpo da terra
em convulsão
mar em revolta
sistema falido
ruindo

corpos humanos
em reformulação
sofrendo alteração
adaptação
pras novas energias


tudo que desfunciona
vindo a tona
tudo que precisa
de cura
à procura

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

coração
da terra
aberto
cheio
de amor
pleno

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

palavras
de ler
palavras
de ver
de ouvir
tocar
cheirar
comer


a carne
que contem
o verbo
a consistencia
de musculo
corpo
de crepúsculo



lua dourada
iluminando
mentes
fortalecendo
corpos
LUA
DOURADA
QUE É NOVA
SE ENCHENDO


DE BRILHO
DE LUZ
CLAREZA
E BELEZA


CENTELHA
SEM TELHA
FAISCA
DE LUZ
DE FOGO
EM CHAMAS
DE CALOR
E CONEXÃO
SEMENTE
DE ESTRELA
DE ARVORE
DE RIO
DE PEDRA
DE BICHO
DE FLOR
DE AMOR


SÊ MENTE
DE ESTRELA
DE ARVORE
DE RIO
DE PEDRA
DE BICHO
DE FLOR
DE AMOR


INCORPORAR
CORAÇÃO
CORPO
AÇÃO


CONEXÃO
COM
O SAGRADO
O SEGREDO
DO AGRADO



MAPA DA VIDA
NO CÉU
SER DIVINO
DE LUZ
DO CÉU
DO SOL

DO LUAR




EXPANSÃO DA VIDA


SER
HUMANO
INTEGRAL

INTEGRADO
ENTREGADO
LUA NOVA
AMADURECENDO
SONHOS
DE ESTRELAS
PAR SERIA

PARCERIA
ZERO HORA

hora
de ir pro
sono
hora
de vir
pro sonho
de acorde
em acordo
com a cor da rosa

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

CAPS LOCK

LETRAS MAIÚSCULAS
MÁSCULAS
MUSCULARES

PESSOAS
GRANDES
MINUSCULAS
POR FORA

DO SISTEMA
DO ESQUEMA
DO ANTI-POEMA


CAPS
CAPTANDO
LOUCURAS
LOCKS
MAIUSCULANDO
DOÇURAS


PESSOAS
INTEIRAS
EM FRAGMENTOS
SEDIMENTOS
DESFEITOS


SEDE MENOS

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

conectar
com ar
integrando
os chakras

unificação


dualidades
desvencilhando-se

cada um em
 seu lugar
seu ligar

se largar
o lago
se alarga
ou se alaga

se ala!


os lagos
e as lagoas
lugares
de alargar
a alma
que se
esquece
de alar



alardear
acordar com acordes
de sol
indesejo
de posse

in desejo
de passe

CINZAS DA QUARTA FEIRA E LAVANDAS

aqui agora
chuva noturna
na noite
plena de verão


lua renovando
no céu
como um
aquário

agua
rio
riacho
cachoeira
lagoas
e lagos

o mar
que leva
tanto mal

chove
limpando
todo
resto
de tristeza
que disfarsa
como cinzas
na quarta feira

pingos com aromas
de lavanda
lavando
o andar
da vida



vida
com idas
e vindas
























montanha
que faz
ter
supervisão

super clarão
repente
na  mente

repentinamente

chuva
de uva
de ovo
de avós


gatos
unidos
compondo
o tao
cada qual
em seu lugar
de ligar harmonioso




voltar
pra casa
de indio
pra toca
pra oca
pro escuro
no claro


e a chuva
vai seguindo
seu ritmo
acqua sonora
agua
sol doura


momentos
de agrado
são os  mais
sagrados
contem
segredos
de brilho
de encanto
sem olhos de espanto

domingo, 7 de fevereiro de 2010

cachoeira lava
a alma
corpo
e espirito

cachoeira
templo
sagrado


missa
de domingo
melhor
é banhar-se
nas aguas
doces
de oxum


agua
limpa
enleva
purifica
ilumina
tem mina
o que termina





termina
ter mina







ternura
do que
não
termina






tecido
do que
poderia
ou não
ter
sido










primeiro amor
nunca
se esquece






o último também!
 sono lento
calor
que não cessa
tudo aquece


tudo quase
ruindo
estremecendo


e o que resta
de nós
noés
desta
barca
é abrir
o coração

deixar todo
medo
desejo
insatisfação
caídos
pelo chão


o que termina
o que perdura
na hora escura?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

pela
paz
rapaz
que
teu
ódio
jaz


pela
paz
rapaz
o segredo
do sagrado
consagrado
concebido
pelo agrado


o sagrado
do segredo
conssentido
com sentido
o grilo
e a cigarra
na noite
de verão


lua cheia
serena
brilhando

som de
riacho
acho
que rio

vibraçoes
cristalinas
na retina
da rotina

integração
constelação


corpo
sonoro
soro
musical




a voz
na vez
da vida
da ida
partida
integrada
onde isso
tudo vai
dar?

onda
saindo
do mar

chuva
que não
quer
cessar

morro
a desabar

como manter
a paz
num mundo
de pernas
pro ar
indo tudo
por água
abaixo

o que
vai
sobrar

o caos
antes
do
cais
per
sona

pelo
som

trilha

filha

sonora
pra que a rima?


quero a palavra
irmã
que ima
emana
encanta
espanta

quero a palavra
que  rema
 mima
 remexe

quero a palavra
rumo
que rumina
iluminando


quero a palavra
ramo
que ramifica
e dá forma
ao que amo

ramo
remo
rimo
romo?
rumo

rama
rema
rima
roma
ruma

natureza feminina
completa
caqui e amora

uma gata
nega-maluca
brinca e briga
com o tapete


afia suas garras
se agarra
ao tapete
tecido a mão
por mãos de irmãos
de outras terras
e lugares

gata em lua cheia
cheia de si
cheia de vida


palavras
que lavram
a alma
registros de vida
vivida ao vivo
escuridão
pode
conter
claridade?

borago

borago

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