segunda-feira, 31 de maio de 2010

agora
mais do
que nunca
é preciso
sair do
umbigo
tanta
coisa
ruindo
não

pra ficar
cismando
sofrendo
com coisa
pequena
o mundo
pede socorro
pede paz
luz
e amor
que emana
dos nossos
corações
há muito
por fazer
manter
a intenção
com toda
concentração
irradiar
harmonia
purificação
pra que
a terra
grande mãe
volte
a ser
o paraiso

salto solto

pro salto
é preciso
estar
solto

domingo, 30 de maio de 2010

como pode
alguém tão
complicado
ensinar
que tudo
pode ser
tão simples?
translucidez

tudo claro
sereno
cada coisa
voltando
pra seu
lugar


sentimento
sem ressentimento

ilusão
sem decepção

solidão
bem acompanhada
de mim mesma

certeza
serena
de que
tudo
sempre
se eleva


então
me deixo
levar
enlevada
de vida
leve
revirar a alma
ir no avesso
de si
e voltar
unificado

retirar
as camadas
os véus
toda máscara
todo medo

revelar
o eu essencial
em plena nudez
o amor que
a gente tanto
procura
no fundo
tá dentro
da gente
mesmo

o outro
é apenas
extensão
a manifestação
física
que complementa
porém não completa

a completude
é tarefa individual

liberar um desejo
um anseio
uma paixão
é criar espaço
pra unidade
é ancorar
a presença
divina
que tudo
transforma
ilumina
e recria

superar
o vazio
ir além
das convenções
adentrar
no próprio
mar
e amar
além
do que
se fita
dia claro
alma livre
corte se
fechando
sem dor
aceitação
de tudo
que não
é
presente
aberto
descoberto
solitude
com atitude
de sol
e altitude
amor-próprio
mergulho
interno
na fonte
de águas
puras


tudo
se realinhando
se curando
na procura
eterna
do centro
onde tudo
é silêncio
harmonia
e sinfonia

sábado, 29 de maio de 2010

De cisão

de corte
em corte
em busca
da verdadeira
côrte

liberação
de todo engano
e ilusão
prontidão
pra amar
sem expectativas
nem definições
limpando o espelho
pra que a verdade
transpareça
tudo se revele
que o reflexo
seja lunar
ou solar
apenas de luz


sombras
cinzas
dispenso
pro lugar
de amar

no coração
apenas o vazio
pronto
como cálice


na noite escura
de lua clara
tudo dentro
em mim
se transforma
fica lilás
e límpido

ruptura
pra descobrir
nova aventura
desligada
de águas
passadas


como se fosse
uma nova casa
pronta pra
ser morada
e decorada

corpo metáfora
de casa
com asa
esqueço
agradeço
aceito o
que não é

continuo aberta
de corpo
alma
e espirito

na jornada
individual
mantenho
meu centro
meu foco
meu fogo

integrada
vou
atrair
outra
unidade
pra polarizar
energias
e expandir
o amor

sem pressa
sem presa
pois amor
flui
sem controle
nem medo
sem apego

apenas acontece
como mágica
encanta os olhos
a alma
faz tudo
se harmonizar
sei que a solidão
fortalece
mas também
endurece


na solidão
se acostuma
com a ausência
do carinho
do fogo
da entrega

é na solidão
que se chega
perto
do cerne
da essência
mas depois
é preciso
a companhia
a parceria
pra compartilhar
a vida
os sonhos

qual o segredo
pra atrair
a alma
companheira
aquela que
faz a vida
ficar
de outra maneira
mais alegre
mais clara
mais leve!

lua cheia
me dá
um amor
com gosto
de amora
agora!
lua branca
que se enche
no céu
abençoa
a noite
fria
e minha
alma
vazia
aflita
de solidão
mente que vagueia
incendeia
as vezes clareia
as palavras
mostram
o que vai
dentro


desejo
de claridade
de busca
da verdade


de conhecer
o mistério
da alma


o desejo
de ir
fundo
fusão
do
encontro


de olhos
fechados
a claridade
da beleza
da possibilidade
do encanto
luto
ou
luta


espero
ou
desespero


insisto
ou desisto

impulso
ou
repulsa

busca
ou
afastamento


quando
tudo
fica
sem
solução


a não ação
é a unica
possibilidade


estranho nada
fazer
deixar
o tempo cuidar
do que
tiver de ser...


sair do controle
retirar a expectativa
ficar no vazio


no vácuo
claro
do
amor
conversa
sem verso
inderditada
silêncio
ruidoso
o tal
segredo
de liquidificador


energias
em profusão
ebulição
no coração


corpo
aberto
pro amor
aos poucos
tudo se clareia
encontra seu lugar
cada um o seu par


o caos
vira cais

a dor
vira amor

a tristeza
alegria

o parto
uma chegada!
no fundo
a resposta
é sempre
cristalina
na superfície
é que tudo
se turva
desejo
do ego
de querer
que tudo seja
como ele quer
nem sempre
é o melhor
e o que a vida
requer


no fundo
o que é amor
é livre


então o
aprendizado
de agora
é a espera
a ciência
da paz:
paciência
cultivar
o amor
dentro
pra se manifestar
em cores
em flores
e aromas
quando
o momento
fecundo
chegar!
quando saber
se aquele
que a gente
pensa que é
é ou não é
nossa parceria
pro amor?
quase perco
a fome
tanta
vontade
de devorar
o que sinto

fase
cheia
de paradoxos


prontidão
pro amor
e dispersão
no encontro

tanta solidão
as vezes cansa...
como abrir
os caminhos
do coração?
onde está
a chave
a porta
a comporta
que libera
as águas
claras
que limpam
as emoções
fazem os olhos
brilhar
de encanto
de espanto
por tanto
amar


porque trilhar
caminhos cruzados
triângulos
obtusos
confusos

quero
a liberdade
do encontro
pleno
sem resquícios
de passado
sem elos
cansados
sem rosas
murchas

quero a
conexão
pelo
coração

quero carinho
caminho macio
calor
muita flor
e amor

compartilhar
o trilhar
cada qual
em seu caminho


quero
um amor
que seja
devoção
de que matéria
é feita o
que a gente
sente
aquilo que
não se entende
aquilo
que por mais
que se tente
escapa
da mente

aquilo que brota
na alma
no peito
acorda o corpo
faz a gente
sonhar
desejar
querer
encontrar
com aquele
alguém
que nos
imanta


e quando
o encontro
parece impossivel
a distância
o obstáculo
a presença
de um outro
que deixa tudo
com jeito de
intransponível
indisponível
e ainda assim
algo dentro
lateja
aguça
quase vira
obessão

de onde vem
isto que desponta
desperta
atiça
em momentos
parece ser mútuo
de de repente
se esvai
como vida
que se morre
aos poucos


e o desejo
a possibilidade
disto ser amor
ser belo
ser encanto
magia


onde a gente coloca
aquilo que foge
escapa
e ainda assim
permanece
dentro?

a gente
guarda
aguarda
revela
ou acende uma vela
pra que tudo fique
claro e
aquecido?

quinta-feira, 27 de maio de 2010

ego que ainda
reage
quase foge
ruge

eu que ainda
sofre
desamor
desilusão
cria separação


processo de
ruptura
liberação
de tudo que
não é

auto-engano
espelho embaçado
meias-verdades

vontade de
ir além
transcender
ser só
luz e amor

quero
me entregar
e me integrar


sair da dualidade
ser simples
unidade
pulsando
na verdade

quarta-feira, 26 de maio de 2010

superar o
incompreensível
suplantar
a dor
que nasce
no coração
nada fazer
quando
tudo for
denso e
suspenso
relaxar
afrouxar
cantar
feito
rouxinol

terça-feira, 25 de maio de 2010

silêncio

cio
em si
afeição
que de repente
vira rejeição

encanto
que se desfaz
virando
espanto

onde colocar
o que se formou
por dentro
desejo
de acolhimento
proximidade
intimidade

tudo em vão
tendo que ser
desfeito
tirado do peito

como algo
doce
tão rapidamente
fica amargo

aprendizado
de desapego
desejo camuflado


sentir até o fim
o que essa história
tem pra ensinar...
onde se esconde
o afeto desfeito
feito éter

a palavra
doce
que de repente
quase vira fel

a presença
amorosa
que do nada
se afasta

o desejo
do beijo
que se
desfez
num lampejo


a possibilidade
do encontro
que se
despiu
do encanto

segunda-feira, 24 de maio de 2010

mar coberto
de óleo negro
revelando
a escuridão
humana
chegou
abriu uma fenda
saiu
nem se despediu

o que ficou
suspenso
no ar
sem saber
como acabar
causou
uma cisão


sensação
sem som
cor
nem cheiro
vazio
obscuro

desejo
que escoou
sem deixar
vestígios

sexta-feira, 21 de maio de 2010

aprendizado felino

fico arisca
com quem
não arrisca

quinta-feira, 20 de maio de 2010

vida cada
vez mais
clara
e viva

nada mais
afeta
com a mesma
intensidade
dor nem
sofrimento

tudo ilusão



momento de
expansão
consciência
da luz
da totalidade

cura dos medos
das limitações
harmonia
sendo restaurada
a todo instante


viver
é um
bem precioso!
o fogo
ja apagou
meu coração
se acalmou

tudo pronto
tudo vazio


tenho as mãos livres
e o coração aberto

quero o amor
sem temores
sem controles


quero amar
em liberdade
quero manter
toda amizade

e realizar tudo
que sou
transcender
transparecer
transcrescer...
transcender

acender
a luz
de dentro
nunca permitir
o escuro da alma
prevalecer
manter o foco
no alto
da montanha
no brilho
da lua
e do sol


permanecer no agora
retirar o véu
de maya
ter olhos
claros
na cara
e na alma

não entrar no jogo
aceitar o fogo
desde que seja
o sagrado


tudo é dentro
o fora é
só artifício

a cura
é a procura
do que
ja existe
no dentro
foi bacana
mas também
foi sacana
foi só
um jogo
o fogo
era de palha
se acabou


chega de
ser lenha
na fogueira
alheia

quarta-feira, 19 de maio de 2010

yinspiração


e agora
que toda
loucura
seja
pura
cura




que
cada
parte
alcance
por fim
sua unidade


que toda
confusão
encontre
a própria
fusão
sem medo
sem jogo


pra que
tudo
seja como
flor
foi encanto
foi espanto

foi tanto
que agora
em meu canto

só o canto
me acalanta
matéria que sai
das artérias
é poesia
é revelia
é sentimento
sem sentido
que vem e vai
sem deixar
sinal
de fumaça


é matéria pra poesia
sentir
e dessentir
chegar e partir
unir e separar


amar
e desamar
desarmar
o que era
armação

e a solidão
que sempre
prevalece
solitude
pra alcançar
unificação


amar
sem
aprisionar
alma que desagua
na noite fria
aprendizado
do vazio
apagando
o apego
o quase afago
ou o quase
que me afogo


afogo
ou há
fogo?


desaguo
ou seco


rio
ou
morro


renasço
das cinzas
do fogo que
mal acendeu
se apagou...


onde foi
se esconder
aquilo que
parecia ser
encanto?


volátil
ou
aprendizado
do instante
que passa
só pra
ser
passagem

um rito
um grito
espelhos de
centelhas
cada qual
com seu brilho
singular


vontade de
proximidade
fusão
sem confusão


qual a
tessitura
desse
encanto?


choro contido
de tamanha
indefinição


ausência
que comporta
tanta presença
no meu dentro


e o choro
que não sai
por não saber
o que sentir
nem como agir
reagir...


retirada
fechamento


buraco no peito
antes continuasse
o vazio de antes


agora
nem caqui
nem amora


o silêncio
da espera
sem qualquer
perspectiva:
puro
salto
no escuro


ou no mais puro
do amor
que pode
ser
o que tiver
de crescer

segunda-feira, 17 de maio de 2010

mudo plano
outro que chega
e se vai
da mesma maneira


entra
revira
e se vira...


me deixando atônita
afônica


mais distante


tão longe
e tão perto
do certo
de mim...
minha paz
não se desfaz
nem quando
meu ego
me engana


minha paz
nunca jaz
porque
é colhida
na certeza
da vida


vida que não morre
nem se encolhe

só se acolhe
e escolhe
o caminho da serenidade
quero um mantra
como manta
pra aquecer
e cobrir meu coração

quero
alar meu coração
quando ele
quiser se fechar
se recolher
se esconder

desacreditando do amor



porque o amor
está em mim
e o encontro
das almas
companheiras
chega um dia
pra revelar
o espelho
cristalino
que mora
dentro do peito
e a gente sozinho
acha que não
pode ver
quando
a fusão
parecia
estar
a caminho
a confusão
se precipita
e tudo põe
a perder

porque a mente
que controla
antecipa
planeja
caminha
por trilhos
tortos
e mortos


sair do agora
é estar
fadado
ao fracasso
o fracasso
do amor romântico
cada dia mais explícito
como se não fosse
possível
a arte do encontro
da cumplicidade
parceria


tempos de reclusão
solidão
como se amar
fosse vácuo


o amor não
se encontra
no outro
é na gente
que precisa
estar latente


cuidado
pra não quebrar
o que se cria
atraves da magia


encantamento
nasce onde?
vontade de proximidade
é carência
ou ligação
sobrenatural?

agora
só duvidas


certeza
que sozinha
posso
apenas me proteger
sair de cena
cair de pena
colocar de novo
o coração no lugar
vazio
como acaba
o que nem começa
como choro
que não desagua
porque o oco
da garganta
cala
quer colo
a voz
que não
diz

quer afago
quer abraço
mas não tem
não pode
o abraço
distante
que se ocupa
de outros
braços


contato
sem tato
desfeito
antes
de abrir
o peito


sensação
de suspensão
de mente
que vagou
em vão
no meio
de nova ilusão


e o frio
deixa tudo
ainda mais
denso

sem flor


casulo
pra proteção
cuidando
pra não
ser couraça
por pirraça
por desgraça

onde a alegria
nunca acaba?
onde e quando
o amor
ocupa seu lugar
de sempre?

a finitude
do que se desfaz
como gaz
onde jaz?


é só dentro
da gente
que pode
e deve caber
amor?

me fecho
me abro
me desabo
me abro
me acabo
me começo
me contenho


o outro
que em mim
quase aninha
em breve
se desalinha
o eu
que no outro
quase se revela
se desvela
se esguela
precisa
se retirar

domingo, 16 de maio de 2010

tudo voltando
pro lugar
casa em ordem
pensamentos
sentimentos
atitudes
em harmonia
depois
da desordem
a certeza
de que tudo
sempre
tende ao
equilibrio
a paz
e ao amor

sábado, 15 de maio de 2010

tenho os olhos
cheios d'agua
o coraçao
saindo pela
boca
e um nó
na garganta
querendo desatar
tudo clarear
tudo amar
o reflexo
das roupas
espalhadas
pelo chão
espelham
o despir
de toda
ilusão
abrir o coração
despir os medos
as normas
as formas


existir
sem resistir
ser tudo
no todo

encontrar o eixo
o seixo
o desfecho

conectar
a essência
a florescência
a luminescência
da inocência

amar
alar
ser
pleno
e ser solto
toda procura
é uma
pró cura
processo lento
de organização
revisão
interna
completa
limpeza
arrumação
transformação
o caos
ajuda na
desconstrução
quando
acaba
tudo
se renova
agora
a desordem
vai embora
cada coisa
vai pra
seu lugar
minha roupas
meus sapatos
meus livros
papéis
objetos
meus lixos
minhas loucuras
medos
desejos
procuras
abrigos
carinhos
e amores
nos sonhos
a vida
prossegue
resolvendo
conflitos
revelando
direções
apontando
soluções
e novas
percepções


acordada
muitas vezes
não vejo
a cor
que é dada


no sonho
mistérios
deixam
de ser
sérios


a teia
da vida
se destrama
se desdrama
me esparrama

sexta-feira, 14 de maio de 2010

tirar a máscara
a persona falsa
que mostra
a cara
sem a coroa
real

medos
máscaras
fantasmas
conceitos
camadas
e camadas
maquiadas
de tudo
o que
acham
ser
o normal

viver
de forma
natural
selvagem
essencial

ser
o ser
original
feito
para
o amor

quinta-feira, 13 de maio de 2010

e esse caos
que não se desfaz
que reflexos
me traz?
tudo pelo chão
em total
desarrumação

revendo
conceitos
elimando
todo pré
pra que
tudo seja
em prol
do que
é verdadeiro
alegre
luminoso

bagunça que
reflete
processo
de desconstrução
dissolução
e reorganização

caos
que
vai
virar
cais

sexta-feira, 23 de abril de 2010

o que não se diz
por desperdício
de viço
vira poesia


vira poesia
o que se cala
quando não
se ala

vira poesia
a fala
atravessada
a fala
oculta
obscura
sem censura


vira poesia
a crítica
cítrica
e estrábica


vira poesia
o abraço
aninhado
do menino
contido
detido
sonolento

conversa
sem verso
fica suspensa
não se sustenta
nem na terra
muito menos no ar
nem no fogo
nem na água


conversa técnica
impessoal
onde a tônica
é a diferença
que precisa
ser extinguida...


posição:
co-ordenar
a dor


composição:
de cor
em ordem
com a dor
conversa
que não circula
conversa
sem verso
poético
prosa
sem rosa
prosa rasa
sem asa


sua verdade
descombina
com a minha
que é ex-
concubina
da sua

minha fala
risca o medo
do dicionário
do ser


quer a cura
em vez da
doença
quer a arte
em vez
da má sorte
quer a bicicleta
ao invés
da indireta

quer andar
não só
em linha
reta
quero desinventar
que chorar
é fraqueza
pois choro
é chuva
sorriso
é sol
e a vida
é ciclo
de agua e
luz

um ser profissional
não pode chorar
enquanto se emociona


precisa esconder
sua tristeza
que é sua porque
também é do outro
equipe
ou
coletivo

com gripe
ou
com rolê ativo

quero roda
mesa redonda
bate-papo
que vai e volta
sem meias-verdades


verdades inteiras
de cada um
sem julgamento
sem imposição

troca de
energias

com as singularidades
em harmonia
equipe
precisa
de equipamento
pra ter alimento

coletivo
precisa
de colo ativo
rotativo
borboletivo
monólogo
disfarçado
de diálogo

espelho
que não
se olha

projeção
de olhar
estrábico
fóbico
estático
gosto da não palavra
dita pela lingua calada
de silêncio
que tem cio


ouvir sem nada
dizer
sem defesa
sem ataque


palavras
pra serem usadas
pra serem aladas


se calo
ou se falo

não me respaldo
em técnicas
nem em teorias

gosto de ser
a revelia
me esbaldo
em poesia
em alegria
em liberdade

EM MEMÓRIA ou PARA RANODI

morte em meio
ao temporal
medo, fé

despedida
de vida
cansada de sofrer
quantas alegrias
em meio a angústia do ser?

na morte
a dor é finda
além do corpo, da dor
-o vazio-
finita matéria
que deteriora
com as horas


para onde
vai a essência?
aquilo que não se fita
aquilo que está além
da foto
síntese da vida

quinta-feira, 22 de abril de 2010

insonia

lua crescendo
dentro do peito
tambor ritmado
de alegria
certeza viva
da arte
da cura
e do amor


sono que
cede lugar
pra vigilia
acôrdo
com a cor
da noite
estrelada

lua crescendo
se enchendo
alterando
emoções
clareando
gerando
fecundando
vida plena
de luz

terça-feira, 20 de abril de 2010

cuidado que
funde
confunde
com medo

limitar
o outro
minar
possibilidade
de ser livre
alegre

não posso
fazer parte
do esquema
que poda
faz bonsai
de gente
e fica
doente

pulsa
na frequencia
do medo
desencontros
desencantos
chegam de me
rodear

dez encontros
dez encantos
venham me
saborear
a solidão
que agora
pesa
me deixa
presa

quando
amar
se torna
distante
feito
o mar
no horizonte
sem fim

vontade
de contato
pleno
paixão fecunda
amor em botão


encontro de
almas nuas
presença quente
cheiro de mel

bocas sedentas
corpos em chamas
gozo pleno
silêncio em grito


quando o amor
vai me presentear?
por minha porta
entrar?


estou aberta
estou alerta



e inteira nua
um colar
de pedra
estrela
pra alar
minha espera

as vezes
quase
me desespera

solidão
cansada
de si

companhia
pra sorrir
nutrir
florir

parceria
pra prosseguir
encantar
expandir

onde estará
o meu amor?
além do que
há dentro de mim?

quero sair do
meu umbigo
encontrar abrigo
num ombro
e corpo todo
amigo

quero despir
meu manto
de solidão
deixar cair meu
sentimento
pelo chão
fundir-me
no outro
sem confusão
sono que se vai
pensamento
que me detem
a espera
de alguém

segunda-feira, 19 de abril de 2010

finda semana

sábado a noite
num sítio
de céu estrelado
repleto de brilho
entre um bom papo
degusto um licor
de jenipapo
de sabor
exótico

sono que chega
sereno
descanso
de repouso
rural

e no domingo
entre flores
frutas
e calor
um bom banho
de cachoeira
pra encarar
a segunda-feira!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

contradição
com tradição

quinta-feira, 1 de abril de 2010

lua cheia
da estrela
atraindo
o proposito
da arte


lançamento
de livro
livre


palavras
soltas
pra livrar
do abismo
do cismo
consigo





comigo
com meu
umbigo
costumo
abrigo
costumo
afago







e os gatos
a dormirem
no tapete
voador









e o vento
de outono
e o ventre




ventre
semente
de
vivente









alinhar
aliar
a linha
e a brisa

terça-feira, 30 de março de 2010

ex
expectativas
ex tentativas


agora
o que
acontecer
será
o que
tiver
de ser

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cantar
Dançar
Escrever
Encantar
Enlaçar
Descrever


Alar
Falar
Crescer
Florescer
Arvore
Ser





Amar
Além
Do mar




A
Lenda
Do mar



Além do amar






Gênero

Questão
De
Momento




Gerundiando
vai estar
Enrolando



O que é pra
Ta fazendo
É pra ser feito!








Caqui e amora
Gosto de natureza
Na boca
Na oca
Com gosto
De fruta agora




Sono
Caído
Na noite
De quase
Lua cheia


A cor da noite
Acorda








Deixar sair o
Que vai preso
No peito


Parir
O desejo de
Ser

Somente
Semente



Fruta
Fruto
Flor

Apenas folha

quarta-feira, 24 de março de 2010

lua e ventre
se enchendo


cheia de claro
de vida de
cheiro vivo


ventre
de dar-se
à luz
própria


vaga-lume
vagando nuvens


óvulos
fecundando
como féculas
e pétalas
de si mesmo


lua e ventre
de claro
e escuro
de pleno
e vazio
de luz
que reluz
o sol



ventre
livre
vento
livro



vivo
ventre
viva
lua
cheia
de claro

segunda-feira, 22 de março de 2010

outono
ou tônus






folhas caidas
pelo chão
chuva forte
pra apagar
o verão







cada um
resolve
o seu
problema
revolve
o seu emblema
remove
o seu esquema
e revele
o seu poema







ou
tono










ou
to
no











ou
to
on

sábado, 20 de março de 2010

São Paulo
das mil faces
São Paulos, Joãos,
Marias, Antonios,
Beneditos
benditos e malditos
Pressa nos passos
variedade humana


corpo anônimo
caído na marginal
enquanto todos
passam velozes
indiferentes
a sua condição

No terminal,
trânsitos intermináveis
personagens de tantas
histórias
diluidos na multidão
escrito antigo


que toda partida
se transforme em
partitura
que toda mudança
se torne dança
outono
áries
ano novo


calor
se despindo
pra dar lugar
ao frescor

folhas pelo chão
pra lembrar
a renovação

sexta-feira, 19 de março de 2010

religação
sem religião







fazer parte
sendo ingrediente
que dá o toque







mania
de magia
modo de
fada
a moda
antiga





palavras pra dizer
o que não se diz
palavras de ser
aprendiz




instituição
com substituição
subtração
subordinação
olhar linear
prática da rotina
colada na retina







palavras pra
orientar
revelar
desnudar
pulsar
transformar
inovar





ousadia
noite
e dia









céu brilhante
iluminando a vida
na terra
reflexos
espalhados
espelhados
pelo chão

alma
em ebulição
corpo
em ovulação

vida de luz
germinando
por dentro


processo
de criação
gestação
de gesto
na ação


grávida
de vida

quinta-feira, 18 de março de 2010

casa
de pernas
pro ar
tudo fora
de lugar

novos olhares
outras arrumações
liberações
do caos
que traz o cais

desarrumado
pra dar novo rumo
um olhar técnico
um coração mecânico
ser um ser profissional


não se emocionar
nunca se abalar
ser um ser estático

quase máquina
pra seguir
o esquema
armado pelo sistema

cada um fazendo
apenas aquilo que
acha que lhe cabe
funcionário
fracionário

coração do lado de fora
cabeça no comando
e assim
vai funcionando
uma instituiçao
feita pra
reproduzir
sem contestar
sem nada novo testar


fazer parte
só com ajuda
da arte
do carinho
da rosa
e do passarinho

segunda-feira, 8 de março de 2010

a pressa
pressiona
aprisiona

com pressa
quero
uma compressa
de terra
na testa

aterrar
o pensamento
e toda pressa
com seu preço
sem apreço

quero a lentidão
de caramujo
rolando ao chão
um olhar inverso
pra fazer verso
estreiar
estrelar

sexta-feira, 5 de março de 2010

altar
de elementos
fundamentais

quinta-feira, 4 de março de 2010

chama
oscila
alheia
ao vento
e ao meu
pensamento

chama
amarela
vela
a chama
da vela
amarela

é amarela
a chama
da vela

a vela
amarela
da chama
a noite
o acorde
da vida
em sol
maior
me toca
num pulo
sair do
limite
do chão


o salto
é estar
solto
a noite
com seus
encantos
e acordes
a noite
me acorda
com sua cor e
seus acordes
de silêncio

quarta-feira, 3 de março de 2010

num repente
se pensa
de repente

terça-feira, 2 de março de 2010

raramente procuro médicos
na verdade, das ultimas vezes
fui apenas por causa do atestado
para justificar as faltas do trabalho

há tempos optei
por ouvir meu corpo
reconhecer seus processos
e procurar me tratar
de forma natural

um dia me dei conta
que desde criança
já não confiava
na medicação industrial,
nem nas vacinas
porque guardo até hoje
uma marca grande no braço
da vacina que fui obrigada
a tomar na escola porque
retirei meu braço na hora
como defesa
mas criança
na maioria das vezes
não tem escolha

outra lembrança
é de um dia ter me dado
a permissão para
não mais tomar os remédios
que minha mãe obrigava
a fim de que eu engordasse
um dia me vinguei
e passei a enterrá-los
no fundo do quintal!


quando finalmente pensei
ser livre pra fazer minhas escolhas
optei conscientemente
pelas vias naturais

hoje, pela segunda vez
após seis meses
precisei recorrer
ao posto de saúde
(ou de doença?)

da vez anterior
tive o azar de ser
atendida por um ser
que com certeza
não tem amor ao que faz
talvez em seu consultório
particular, possa ter um pouco
não sei se amor...
se é que ele sabe o que é isto.

mas são águas quase passadas
quase, porque se não escolho
ontem, teria o desprazer
de ser atendida novamente por ele
que prá mim ficou sendo visto
como uma versão de "O médico
e o monstro" e sei que pra
muitas outras pessoas também

o fato é que então
voltei no dia seguinte, hoje
pela manhã para ser atendida
por outro doutor...
cheguei antes das 7 da manhã
porque avisaram que ele iniciava
os atendimentos as 7!
este acho um fato curioso
da maioria dos médicos brasileiros
será que em outros países será
assim também?
porque sempre atrasam?


bem, ele chegou as 7:30h
sou de observar bem essas coisas
pois que sempre achei esquisito
os médicos se atrasarem

haviam algumas pessoas na minha frente
e quando elas começaram a entrar
e sair com a mesma rapidez do vento
que soprava lá fora
achei aquilo de novo esquisito...

dentre os cartazes colados
nas paredes do posto
um deles me chamou a atenção
dizia que os médicos se preparam
em média dez anos
para poderem fazer um bom serviço

em menos de dez minutos
vi este médico atender 3 pessoas!!!
vi também ele sair da sala
e gritar irritado pra alguma
atendente que ele estava sem carbono, pô!



gripe pelo que sei e sinto
é uma forma que o corpo
encontra de liberar as tristezas
que a gente acha que pode esconder
então, das vezes em que ela me apanha
sempre reconheço que haviam coisas
pra serem retiradas, purificadas...

trabalho na área de saúde
também pública
e capto muita tristeza alheia
com meu servíço de escuta
me sinto as vezes
faxineira de emoções

eventualmente um cansaço
me assola
vontade de descansar
ficar sem nada fazer
me recompor
ou fazer outras coisas
que na rotina do cotidiano
perco a motivação

mas o sistema
exige uma dura disciplina
quase um quartel
e o sentido
da vida
se há um descuido
quase se esvai

doença qualquer é desequilibrio
gripe é quase sinônimo de
recolhimento
assim como o
primeiro dia
que menstrua
toda mulher

deveria ser
parada obrigatória
pro corpo
se reabastecer

em menos de 5 minutos
sou atendida pelo doutor
que estudou 10 anos
conforme o cartaz

este até que me examinou
me fez mostrar-lhe a língua
não enfiou aquele palito
que sempre me causava ânsia
e me pediu pra respirar

percebi sua impaciência
(além da falta do carbono)
quando examinava meu tórax
pois dizia pra eu respirar
enquanto eu ainda terminava de expirar
será que pra ele respirar
é só inspirar?
ou meu tempo de respirar
é tão grande
que iria interferir
no seu tempo de trabalho?
ou de vida?

preferi não questionar-lhe
afinal de certa forma
estava em suas mãos
o tal do atestado
tão necessário
pra justificar meus dois dias
de falta

pelo tamanho
da sua barriga
achei melhor
ficar na minha!

afinal fui de certa
forma obrigada
pelo sistema de saúde
ao qual de certa forma
faço parte
a comprovar no papel
o meu mal-estar
pois minha palavra
nem minha indisposição
servem para garantir meu descanso

saio do posto
com vários comprimidos
isto porque ainda
deixei uma cartela
porque havia ganhado
20 comprimidos!

como não iria e não vou
tomar nada pra comprimir
minha dor
saio de lá
com a percepção
mais evidente
do quanto nosso
sistema de saúde
é doente

médicos que
apenas medicam
vários papéis
como se compensassem
o papel verdadeiro
da medicina

na volta pra casa
sentindo o vento frio
do outono que vem
chegando um pouco apressado
paro no semi bosque
de eucaliptos
e apanho uns galhos
de algumas árvores
que generosamente
permitem que alcance
alguns galhos seus

ao invés de paracetamol
prefiro inalar
eucalipto
tomar seu chá
gengibre, alho
mel e limão
e aproveitar
sem qualquer
perpectiva de culpa
um dia sagrado
de descanso
fazendo de fato
corpo mole
como sinto
meu corpo neste instante

fazer corpo mole
ao contrário do que
se pensa
é amolecer as tensões
a rigidez e o controle
que faz com que a gente
se torne máquina
ou alguém que sente
tão importante
ao ponto de nunca
poder se ausentar


sei que tudo funciona
sem minha presença
não sou insubstituível
e ninguém depende
de mim pra viver

e a gripe
vem só
pra me fazer lembrar
que ainda adoeço
porque não sei
ser inteiramente natural

segunda-feira, 1 de março de 2010

acordar de noite
adormecer de dia
clarear o escuro
escurecer o claro
noite estrelada
de lua clara
e vento

marte
com seu brilho
vermelho
aquecendo
o céu
de março

corpo cansado
precisando do repouso
parada necessária
pra fortalecer
e seguir a caminhada

cuidar da alma
através do silêncio
recolhimento
que expande


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borago

borago

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