aproveitar melhor o tempo
sem devaneios vãos
esperas desesperadas
esperanças ingênuas
pois não quero a
sensação de ver-me
refletida inerte no tempo
cada vez mais veloz
decreto o fim
dessa lentidão
que agoniza
em seu lugar
quero a lentidão
do criar
processo de gerar
com arte
beleza e harmonia
algo que clareie
que transforme
renove e me
refaça como ser
que cria de
forma ativa
quero lançar-me
no real
ausentar-me do virtual
desfazer sentimentos
suspensos, represados
todo engano
e desencanto
e deixar de esperar
que ser mais feliz
depende de um outro
sábado, 27 de novembro de 2010
o que
tem
que ser
flue
sem
que
nada
influa
junto com a lua
vou deixar tudo
que ta dentro
também se esvaziar
nesta noite
vazio de pensamento
de sentimento
sem correspondência
vazio de qualquer
expectativa vã
lua cheia
que se despede
leva contigo
meu afeto
contido
que nem
teve a chance
de se mostrar
pois agora
o que vai
prevalecer
é simplesmente
meu amor
incondicionado
a mim
as flores
aos gatos
a tudo
que tem vida
não pede
nem recusa
amor
momento de recolhimento
preparo de entrada
na tenda da lua
período de purificação
do corpo de ser-mulher
sincronia com a lua
que altera da cheia
pra vazia
minguando no céu
a aguçando a língua
dando vazão
a tudo que desassossega
interiorização
para expansão
organização do
sentir- pensar- agir
vem chegando
mansamente
com sua luz
e explendor
contemplar-te
é estar
à beira
à deriva
do infinito
do cosmos
é religar-se
a vida
que pulsa
expande
e é eterna
reflexo
do mundo de dentro
todo revirado
em processo
de reformulação
casa espelho
da alma
refletindo
os cômodos
(yin cômodos)
de meu ser
fase pra desfazer
medos
lançar-me
no desconhecido
no rio
do que é
misterioso
destrancar as portas
do coração
expor o que vai
nas profundezas
do escuro de mim
busca pela
unidade
através
da complementaridade
fusão com a
polaridade
desfazer padrão
não repetir
velhos erros
abrir o presente
do momento
único
que é o agora
quando vejo
a terra ardendo
com o fogo da
cana
tal qual asa branca
me pergunto
"porque tamanha judiação?"
no escurecer do dia
o fogo que enfraquece
a terra, desvitaliza o ar
as plantas
e tantas vidas alem
de humanas
continua a queimar
com brutal desrespeito
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
a vida é esta
alternância
um dia cinza
molhado
outro azul
iluminado
um dia esfria
outro esquenta
um dia venta
outro
nada se movimenta
um dia há
vontade
de chorar
como a chuva
no outro
sorrir
como o sol
cada dia
o desafio
de viver
cada momento
sagrado
como se fosse
um agrado
divino
deixar pra trás
o que se passou
deixar pra frente
o que virá
ser eterno
presente
que vive
plantado
no agora
do aqui
olhar estrábico
que recusa
a olhar além
do que sua vista
desfocada
alcança
sente ameaça
quando
novo olhar
realiza
e tem sucesso
insiste
tanto em dizer
tem que acolher
tem que ter foco
porque
isto é o
que ainda
não desenvolveu
no próprio self
aponta
os erros
alheios
retrocede
ao passado
porque não
tem argumento
vivo no presente
se ressente
do que brilha
do que é simples
natural
e saudável
e pensa que tem poder...
palavras que libertam
desatam nós
da garganta
mesmo quando
não faladas
tornam-se
aladas
no papel
ou na tela
virtual
quando a intriga se
aproxima
uma flor
me é ofertada
sinal
do amor
da proteção
dos anjos
dos santos
da divindade
que me habita
energias
sem sintonia
sigo meu caminho
confiando
na guiança
como criança...
me afasto
pra não compactuar
com o sistema
doentio
retrógrado
desvitalizado
suas verdades
obtusas
e estrábicas
refletem seu ponto
de vista
desfocado
como seus olhos
opacos
que não
encaram
outros olhares
nem pontos de vista
diferentes
desejo que
sua visão
se expanda
que seu coração
se abra
para além
dos seus dogmas
católicos
psicanaliticos
desatualizados e
amorfos
que seus rins
liberem
os medos
que seu ser
se eleve
e fique leve
era do aguadeiro
que se manifesta
a cada dia
verdades vindo
a tona
purificando a
humanidade que
dorme
presa a matéria
inerte
sem luz
era
que chega
pra renovar
encher de luz
o planeta
que vai se
tornar
sagrado
vai voltar
a condição
de paraiso
pura harmonia
muitas águas
vão rolar
até tudo
purificar
consciência
na luz
foco
no espírito
transmutar
a densidade
refinar
a sensibilidade
ser antena
que capta
o infinito
trilhar o caminho
da paz
do amor
e da união
vida consagrada
a perfeição
do criador
não calar diante
da injustiça
ser farol
no escuro
ser diferença
na mesmice
ser criança
na seriedade
ser quântica
e descartar
o cartesiano
confiar no cosmos
na unidade
na vida que expande
evolui
e transcende
toda matéria vã
fadada
a falência
fora do jogo
dentro do fogo
fora do esquema
dentro do poema
fora do padrão
dentro do condão
fora do comum
dentro da comunhão
com a verdade
do coração
do amor
da alegria e
da cura
sábado, 25 de setembro de 2010
na saída
encontra-se
a entrada
portal
que se
revela
quando
a porta
se encerra
estabilidade
insustentável:
base de areia
retirada
pra escalada
em busca
da vida alada
antagonismo
se dissipando
pra atração
natural
do que tem
sintonia
com o mundo
animico
e espiritual
saída do
convencional
estação
que chega
renovando
fazendo a
separação
de tudo
que não
tem ligação
do coração
ciclo de
cores
aromas
e flores
que expandem
a alma
chega com frescor
trazendo água do céu
que rega a terra
a vida vegetal
e purifica o ar
flor que se abre
em meio a pedra:
lilás ,transmutando
e sutilizando
mudas de alecrim
pra alegrar
dando o sinal
de que o amor
é sempre o vencedor
cada vez
que um incomodo
aparece
um muda de flor
é ofertada...
presente de anjos
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
gelo cobrindo a cidade
tornando tudo frio
branco
umido
natureza
que mostra
seu poder
purifica
destrói
e transmuta
aqui essa
secura
que não cessa
vento que vem
e vai
dispersa a chuva
que não quer cair
será por causa
das queimadas?
dos canaviais
com seus ais
e das plantações
envenenadas de
homem que não
quer carpir
queima
pra poupar
seu esforço
sem se importar
em maltratar
e ressecar
o solo
que espécie
de seres somos
nós,
humanos
superficiais
tão apegados
a aparência?
ave poesia
cheia de garça
amor vem conosco
bendito é o vosso
vento de luz
mantra poesia
mãe de eus
hai-kai pra nós
sonhadores
agora e na hora
da nossa arte
amem
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
palavra
com gosto
de amora
quero
agora
pra
saborear
a vida
madura
com
doçura
palavra
que seja
acorde
pra alma
que dorme
que seja
sopro
em
meio
a secura
dos lábios
calados
contritos
aflitos
palavra
que seja
melodia
no dia
e na noite
que seja
estrela
em meio
ao escuro
do vazio
do ruido
que seja
água
limpida
e clara
que
purifica
e vivifica
palavra
que
lavra
a alma
como
o jardineiro
a terra
lua que
chega pra
renovar a
vida
traz a chuva
e a limpidez
no ar
chuva chegando
mansinha
pra molhar
a terra seca
cansada de sol
e fogo
que homem faz
por preguiça
de capinar
molha com carinho
afagando as plantas
com suas gotas
serenas
água que mesmo
sendo pouca ainda
ja permite
a leveza do ar
umedecido
agradecido
gratidão
a agua celeste
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
secura no ar
deixando tudo
estagnado
cansado
enfraquecido
reflexos de atmosfera
sofrida por
queimadas
poluições ilimitadas
das máquinas
que não cessam
de movimentar
pra sustentar
tanto vazio
humanidade
que escolhe
a degradação
em prol
de seu bem-estar
material
mais vazamento
no golfo do México
por tanto mexerem
no fundo do mar
até tudo
explorar
explodir
planeta
que vai
naturalmente
se realinhar
e muita gente
vai pagar
mais caro
pra ver
tempos cada
vez mais
materializados
de ganância
e destruição
de seres
desprovidos
de sensibilidade
e amor
não ouvem
o som das águas
nem a voz
dos índios
querem apenas
pensar
em cifrões
belo monte
de dinheiro
domingo, 29 de agosto de 2010
mortes causadas
por águas que
não cessam
natureza
que purifica
de forma drástica
em sintonia
com a destruição
causada
por essa
civilização
sol queimando
pra transmutar
tanta
secura de amor
mares estremecendo
pra parir
o estupro
petroleiro
tantos seres
se acabando
no crack
como se a vida
fosse mesmo um estralo
vazio no vácuo
no álcool
como se a vida
fosse volátil
sexualidade
sem conexão
com o sagrado
humanidade
que desonra
o próprio corpo
descuida de si
da terra
do ar
de tudo que é
vida pura
como pretende
continuar
a vida no planeta
onde a escassez
começa a despontar?
é preciso luz
ações altruístas
ja não é mais tempo
de orgulhos feridos
egos ofendidos
diante de tanto
clamor
vivemos em meio
a transiçãO
onde o velho
modelo precisa
ruir
pra deixar o novo
o poder feminino
transcender
tanta
escuridão
sábado, 28 de agosto de 2010
amoras que
se doam
com amor
que se deixam
colher
por quem
não as plantou
nutre a todos
que passam
famintos
de vida madura
doce e macia
trilhar o caminho
sagrado
fazer na natureza
um agrado
uma oferenda
de amor
de cuidado
e gratidão
cuidar da água
usa-la sem desperdício
pra que nunca se esgote
afagar a terra
plantar o alimento
a erva que cura
a flor que encanta
apreciar o fogo
e usa-lo como ritual
de limpeza
e transmutação
respeitar o ar
com os pensamentos
elevados
e a consciência em
eterna expansão
também cuidar
da não poluição
química
reverenciar
as forças da natureza
por toda grandeza
e beleza
e fazer da minha
vida um canto
sagrado
de luz
sábado, 10 de julho de 2010
buscar o
silêncio
da mente
pra ouvir
a voz
suave
da alma
que soa
como ave
lua nova
véspera
de eclipse
instante
de reflexão
espalhar
o vazio
pelo chão
não temer
a escuridão
pulsar
na cor
e calor
do sol
clarear
o coração
transcender
toda limitação
mandalas
pra alar
a alma
encontrar
o ponto
o centro
pra desvendar
segredo
e achar
a resposta
que vai dentro
ir ao encontro
do desconhecido
penetrar em seu
silêncio
provar de suas
verdades
voltar revirado
com tudo
pelo avesso
e depois,
calma
e lentamente
manter o que ressoa
na alma
pra não trair
a verdade
que vai dentro
e contém
a direção
do meu próprio coração
quarta-feira, 7 de julho de 2010
quando a compreensão
do que não era pra ser
se torna clara
tudo se transforma
se transmuta
se eleva
vida que não cessa
de ensinar
lugar de montanhas
que faz a alma
se alar
se cobrir
aquietar
lugar sagrado
de se enlevar
deixar o vento
levar o que não é
entrega
que depois
de aceita
vira pluma
ensinamentos
que vêm de outros
níveis
expandindo a consciência
deixando a vida elevada
e o sacrifício
puro sacro ofício
medos que se desfazem
apegos que se dissolvem
vida que se torna
maior e conectada
com o cosmos
pequena centelha
que se ilumina
e ajuda o brilho
da estrela
ser manifesto